Roteiro Marrocos – Marrakech: a cidade vermelha

Uma das 4 Cidades Imperiais do Marrocos, a “cidade vermelha”, como é conhecida, encanta. A mais vibrante das imperiais, Marrakech é o principal destino turístico do Marrocos e se orgulha de ser o mais “aberto” deles, onde as mulheres podem andar segurar e usar shorts e camisetas sem grandes problemas.

A cidade é dividida em dois grandes pontos de interesse: a medina, que é a cidade velha, e a ville nouvelle, a parte nova da cidade.

Por aqui o sol é figura fácil durante, aproximadamente, 300 dias por ano. Não costuma chover, mas a noite, durante o outono e o inverno, pode esfriar um pouco. O verão é quente e abafado e, na minha opinião, é uma época a ser evitada. Eu fui no outono, em outubro, e o clima estava ótimo. Sol bonito durante o dia e bem fresco a noite. Um único dia fez um calor um pouco mais forte, mas nada insuportável.

Quanto tempo ficar em Marrakech? Essa é a pergunta que a maioria dos visitantes se faz. A resposta é difícil, pois isso depende do que cada um deseja da viagem, mas eu recomendaria 3 dias somente em Marrakech. Em 2 dias você consegue ver quase tudo, mas se você tiver 3 dias na cidade você vai fazer as coisas com mais calma e vai ter tempo de relaxar, tomar um chá de menta, ver o movimento, o pôr do sol…

>Como ir do aeroporto pro hotel e vice-versa?

A melhor maneira é contratar esse serviço de transfer direto com o hotel. Custava, em 2012,  cerca de 160 Dirhams. Quando você sair do vôo e fizer todos os trâmites (imigração, câmbio) terá um motorista esperando por você. Não é ótimo?

Você também pode pegar um táxi na saída do aeroporto. Lembre-se de negociar o preço antes e certificar-se que a pessoa entendeu. Custava em torno de 140 Dirhams em 2012, mas eu não utilizei essa opção.

A última opção é o ônibus, que custa de 3 a 5 Dirhams, mas eu não aconselho. Os ônibus no Marrocos param muitas vezes e são, geralmente, cheios. A viagem não será confortável e você levará o dobro ou triplo do tempo. Se ainda assim você quiser arriscar, é só sair do aeroporto e perguntar pelo ponto do ônibus que vai para a medina ou para Gueliz, se for o caso, e facilmente você encontrará.

>Onde ficar?

Como era minha primeira vez no Marrocos, eu quis me hospedar na medina e ver de perto o dia-a-dia da maior parte da população. Viver dentro da medina é como voltar no tempo ou entrar num filme e queria essa experiência. Me hospedei no maravilhoso Riad Tamarrakecht e indico de olhos fechados.Riad Tamarakecht

Embora um pouco difícil de encontrar, tem uma boa localização, a uns 5 minutos de caminhada da Jamaa el Fna, mas longe do barulho e da agitação. O Riad é cuidado por uma família, como é tradicional em Marrakech. O pai, que embora não fale inglês se desdobra em mil para fazer o hospéde se sentir um rei, coordena os filhos: um rapaz muito simpático e disposto a ajudar e uma moça excepcional no trato com as pessoas, que faz um esforço enorme para vencer a timidez e falar inglês, explicando sobre os pontos turísticos, as day trips, culinária, dicas e tudo mais. Além disso, a esposa e irmãs ou cunhadas (não sei dizer) cuidam da cozinha e fazem o café da manhã mais espetacular que comi no Marrocos (experimentem o Msemen, uma espécie de panqueca marroquina, e verão do que estou falando!). Os quartos são grandes e bem cuidados, embora tenham um cheirinho de mofo quando passam o dia fechados (que percebi ser comum no Marrocos). Além disso o Riad tem um terraço bem legal para tomar um chá de menta e ouvir os chamados para as orações. Enfim, indicaria esse Riad com os olhos fechados!

Riad Tamarrakecht

Café da manhã no Riad

Fora da medina há grandes hotéis com muitas estrelas e para muitos bolsos. Um dos mais luxuosos e fantásticos é o Hotel La Mamounia, que conta com um serviço 5 estrelas impecável, digno de 1001 noites nas arábias, com spa, campo de golfe, piscinas, etc. Além disso, no hotel também há um excelente e concorrido restaurante, que é aberto a não-hóspedes, além de bares e bruch aos domingos.

>Como se locomover?

Isso vai depender de onde você está hospedado! Se você estiver dentro da medina, seu principal meio de transporte serão seus pés! Aqui dentro os pés podem te levar mais longe que qualquer outro! Você até pode alugar uma moto, mas eu não recomendo, diria até que eu aconselho fortemente que você não faça isso. O motivo? O trânsito aqui é de matar mesmo. Não é pesado, não é engarrafado…é confuso, sem regras e perigoso! Só um local pode se locomover dentro da medina de moto sem morrer nem matar ninguém!rs

Para ir para as atrações mais distantes – e não são muitas – você pode recorrer ao táxi mesmo. Nos arredores da Jamaa

Taxis na Jamaa el Fna

Taxis na Jamaa el Fna

el Fna você consegue um táxi com facilidade. Eles são velhos e feios, mas são baratos e eficientes. Não se esqueça de perguntar pelo preço antes de entrar, eles não usam taxímetro. Combine o preço e vá sem medo! Não é difícil, não tem uma longa negociação para isso. Apenas pergunte o preço, se você achar que está bom, entra e pronto.

Se você está fora da medina, as distâncias são um pouco maiores. Mas você pode usar o táxi tranquilamente. Como eu disse, não é caro.

>O que ver?

>>A medina de Marrakech

A medina de Marrakech vibra, pulsa desde muito cedo em seus souks e sua praça Jemaa El Fna. Das cidades marroquinas que visitei, nenhuma oferecia a vibração estonteante, o clima de abraço que Marrakech oferece. Há muito o que ver por aqui, porém, não é difícil andar pela medina. No primeiro dia você pode se sentir confuso e intimidado, as ruelas são estreitas, há muitas pessoas disputando espaço e parece ser tudo igual. Mas depois de um dia você já estará andando muito bem por essa medina, sem precisar de ajuda.

Para o primeiro dia, leve um mapa (você pode tentar conseguir um em seu Riad ou hotel) e tenha como ponto de referência a Jamaa el Fna, a praça principal. Antes de sair do hotel, olhe o mapa e marque o caminho do hotel até a praça, tentando deixar tudo o mais claro possível. Tenha muita atenção ao se deslocar por aqui, pois o “trânsito” é de enlouquecer. São centenas de pessoas andando em ruas estreitas, disputando espaço com as carroças, jegues, vendedores ambulantes, barracas e, principalmente, com dezenas de motocas que cortam as ruelas como se não houvesse ninguém na frente. Não há leis, não há uma ordem aparente, o movimento de todos esses elementos pelas ruas estreitas da medina é orgânico e só não acontecem centenas de acidentes por dia porque Maktub! Estava escrito nas estrelas que eles não aconteceriam!

Quando eu estava fazendo pesquisas sobre a viagem, vi muitas vezes recomendações sobre tomar muito cuidado com falsos guias, ou seja, pessoas que se oferecem para ajudar a te levar a algum lugar e depois te intimidam e cobram uma fortuna por isso. Bom, eles existem, claro. Assim como aqui no Brasil os turistas são cercados por moleques querendo se aproveitar. O entendimento que se deve ter é que turista é, de fato, alvo fácil. E como não ser? Simples, quando alguém se oferecer para te levar a algum lugar, diga não e saia andando. E é só. Eles vão te seguir e insistir, é uma coisa cultural, mas diga não e continue seu caminho. Mesmo que você esteja perdido, siga andando até que veja que ele desistiu. Se precisar de ajuda, procure um dos guardas turísticos ou, em última instância, pergunte a um garçom de restaurante ou dono de loja. Uma coisa que faço questão de dizer é que em nenhum momento eu me senti ameaçada na medina de Marrakech e que fui, muitas vezes, ajudada por pessoas que realmente só queriam ajudar. Portanto, lembre-se disso: malandro existe em qualquer lugar do mundo e nunca é demais ter um pouco de cuidado, mas o povo marroquino é muito receptivo e muitas pessoas, muitas mesmo, querem apenas ajudar.

medina de marrakech

>>Jamaa el Fna

Essa praça será o ponto alto da sua viagem e várias vezes! É aqui que tudo acontece em Marrakech, é aqui que tudo d3-4ferve! Sua localização central é um ótimo ponto de referência quando você precisar se encontrar na medina. Seu movimento é o passatempo mais gostoso da cidade. Por aqui passam encantadores de cobras, contadores de histórias, adestradores de macacos, vendedores e, claro, pessoas de todos os cantos do mundo. Não que eu seja grande fã de adestradores de macacos, por exemplo, mas é simplesmente fantástico dar uma volta na praça, olhar as barracas de frutas secas, de suco de laranja, os vendedores de bugigangas, as carroças. Isso sem falar em todos os souks que cercam a praça, cheio de quinquilharias atrativas e pashminas maravilhosas! Enfim, essa praça tem tanto a oferecer, que fica difícil não voltar aqui mais e mais vezes.

d1-2Além disso, ela é cercada por restaurantes com terraços para você sentar e ficar só observando tudo lá de cima. Meu programa favorito em Marrakech era subir um terraço no fim da tarde e ficar observando o sol se por lá atrás da Mesquita Koutoubia, tomando um chá de menta ou água com gás e ouvir o chamado para a oração ecoar pela praça – causando arrepios – enquanto ela se transforma num enorme restaurante a céu aberto para a noite que chega. Sim, além de tudo que acontece na praça durante o dia, a noite são montadas dezenas de barraquinhas onde os sabores da comida de Marrakech são oferecidos, aos berros, para quem passa. Se é tudo limpo e higiênico? Não, não é. Mas eu comi lá e não morri. Não tive uma dor de barriga sequer. Claro que é sempre bom dar uma boa olhada na barraca antes de escolher e aqui também vale a máxima de “se está cheio é porque deve ser bom”. Pois é, pode parecer achismo – e é – mas a verdade é que as barracas servem praticamente cardápios iguais e você se sentirá mais seguro comendo onde todo mundo come.

Jamaa el Fna a noite

Jamaa el Fna a noite

Eu fiquei com medo porque no meu riad me disseram para evitar comidas de rua e -pasmem!- suco de laranja das Barraquinha Jamaa el Fnabarracas. Acabei me arrependendo porque deixei para comer na praça apenas nas duas últimas noites e posso dizer que foi uma experiência gastronômica ótima! Uma comida impecável, muito gostosa, tudo servido em recipientes descartáveis (embora o pão seja trazido à mesa com as mãos nuas e colocado em cima do papel pardo que cobre a mesa!), atendentes simpáticos e um clima maravilhoso! Uma sensação fantástica de pertencimento, de estar vivendo aquele momento, naquele lugar único! No fim, um chá de menta super gostoso servido em copo de vidro que, depois, por uns 5 minutos, fiquei me perguntando onde eram lavados, mas ao chegar a conclusão que não eram, deixei pra lá!rs

Quanto ao suco de laranja, eu acabei não bebendo mesmo. A questão da água é muito séria no Marrocos e pode te causar algo bem mais sério que o piriri, então quando uma marroquina me disse que as barracas de suco de laranja forjavam a água mineral (violando lacres e enchendo na torneira), eu preferi não arriscar. Então, fica uma dica valiosa: água no Marrocos só mineral e depois de verificar que o lacre está intacto.

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O que ver: Vendedores ambulantes, barracas de frutas secas, adestradores, encantadores de cobras, contadores de histórias, pôr do sol em um terraço.

Onde comer: Café de France, Café Argana (estava em reforma quando eu fui, mas é muito recomendado!)

>>Souks

Fazer compras no Marrocos é uma experiência muito maior do que escolher um produto e pagar por ele. Aqui há todo um processo. O primeiro deles é, entre tantas coisas que você verá pelos souks, saber o que você realmente quer comprar. Porque a oferta é muito grande e as bugingangas são tão diferentes e coloridas que você vai querer comprar tudo! Mas só no início, porque aqui no Marrocos você precisa negociar até pra comprar um cinzeiro. E negociar cansa, esgota o cérebro do pobre viajante. É ótimo quando você consegue comprar algo por um bom preço, quando estabelece uma meta e consegue cumprir, mas a verdade é que sempre fica a sensação de que está sendo enganado e levando a pior. Nós não somos profissionais, afinal, somos apenas turistas encantados querendo levar tudo pra casa e, de repente, somos arrastados para uma negociação longa e exaustiva apenas pra comprar uma pashmina de 10 euros!rs

A uma certa altura você se acostuma e até gosta, mas no fim das compras você estará esgotado!

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Não vou ficar falando da localização de cada souk pela medina de Marrakech; isso não me ajudou em nada quando eu estava lá. O que posso dizer é que se embrenhar nos souks é uma parte muito importante da sua viagem, então faça o seguinte: perca o medo de andar pelas ruelas, você não vai se perder! Entre nos souks pela Jamaa el Fna e liberte-se! Caminhe a esmo, observe, namore seus objetos de desejo, vá do souk de tecidos pro souk de metais, de couros, etc.

Se você não está interessado em comprar, não olhe e, de jeito nenhum, entre na loja! Você dificilmente conseguirá sair sem comprar algo!

Há muitos turistas em Marrakech, o que faz os vendedores serem um pouco menos insistentes aqui do que em outros lugares. Aproveite para treinar.

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A última e valiosa dica é impor um limite. Se você vai comprar um tapete, antes de ir à caça, pense no preço máximo que você está disposto a pagar por ele. Não saia da loja enquanto não conseguir esse preço ou simplesmente não compre e vá para outro lugar. Eu, por exemplo, queria comprar pashminas. Muitas delas. Então estabeleci que pagaria, no máximo, 100 dirhans por cada uma. E tentava pagar abaixo disso de qualquer maneira. Isso me poupou de gastar uma fortuna, embora muitas vezes eu tenha tido a impressão de que o vendedor tinha levado a melhor!

>>Mesquita Koutoubia
Da Jamaa El Fna você verá o miranete mais imponente de Marrakech: o miranete da mesquita Koutubia. Aliás, vale uma ressalva sobre as chamadas para as orações: elas são lindas, simplesmente lindas. Eu fiquei encantada e parava tudo para ouvir aqueles chamados, dava aquela vontade de suspirar que vem do fundo da alma, sabe? Enfim, achei fantástico, então, não perca a oportunidade de prestar atenção.
Voltando à mesquita, a Koutubia, como a grande maioria das mesquitas marroquinas, não é aberta ao público não muçulmano. Mas, de qualquer forma, vale uma visita à praça onde fica seu miranete, até por ser bem próxima da Jamaa el Fna.

Mesquita Koutoubia

Mesquita Koutoubia

Mesquita Koutoubia

Mesquita Koutoubia de um terraço na Jamaa el Fna

Mesquita Koutoubia

Pôr-do-sol e Koutoubia

>>Tumbas Saadianas
Os mausoléus construídos no final do século XVI para abrigar os corpos dos falecidos reis saadianos foram cercados por um muro no século seguinte e esquecidos até 1917, quando foram encontrados pelos franceses. É muito bonito ver como a luz incide nas tumbas, principalmente no primeiro mausoléu, a de Ahmed el Mansour, que foi enterrado no saguão central, cercado pelos seus filhos, sob um monumental teto de cedro apoiado em 12 colunas.

Entrada paga de 10 Dirhams, em outubro de 2012

Tumbas saadianas

Mosaicos nas Tumbas Saadianas

Tumbas Saadianas

A luz faz um efeito fantástico!

>>Palacio El Badi
Ruínas. É só o que sobrou desse palácio espetacular, denominado “o incomparável” (um dos 99 nomes de Alá) e construído por Ahmed el-Mansour para consolidar o seu poder e apagar a memória de outras dinastias.  Mas não pense que não basta, o palácio é tão fantástico que mesmo restando apenas ruínas ele tirará o seu fôlego. Onde outrora havia 360 salas ornamentadas com mármore italiano, granito irlandês, ónix indiano e cobertas de folhas de ouro – o que rendeu ao palácio o título de uma das maravilhas do mundo árabe – agora só há areia, pés de laranja e buracos, pois em 1683, Moulay Ismail demoliu-o e usou os seus materiais para decorar a sua própria cidade imperial, Meknès.
De toda a pompa, restaram apenas alguns azulejos e as paredes de adobe, além da vista panorâmica da cidade que se tem no segundo andar da construção.
Entrada paga de 10 Dirhams em outubro de 2012

Palacio el Badi

Panorâmica

Palacio el badi

Vista do terraço

palacio el badi

Ruínas do Palácio el Badi

Palacio el badi

Areia e pés de laranja

>>Palacio Bahia

O palácio Bahia foi construído no fim do século XIX e encanta com seus mosaicos, azulejos, estuques, esculturas e belíssimos pátios internos. O que mais encanta nesse palácio são os detalhes riquíssimos de cada cantinho. Imperdível!
Entrada paga de 10 Dirhams em outubro de 2012

Palacio Bahia

Interior do Palacio Bahia

Palacio Bahia

Pátio do Palacio Bahia

Palacio Bahia

Detalhe do teto

Palacio Bahia

Detalhes

Palacio Bahia

Pátio

>>Medersa Ben Youssef
A mais bonita do Marrocos segundo um guia de …Fès! Isso mesmo, quando eu estava em Fès e queria visitar a maior Medersa local, o guia foi enfático: Você esteve na Ben Youssef, em Marrakech? Então você já viu a mais bela de todas!

A Medersa é realmente impressionante. Não só pela beleza, mas por permitir ver como vivem os meninos que estudam dentro dessas escolas. Ela foi foi fundada pelo sultão Abu el Hassan no século XIV. Foi, no entanto, quase totalmente reconstruída pelos saadianos e foram estes que deixaram maior marca na arquitetura e arte do local.
O valor da entrada em outubro de 2012 era de 10 Dirhams, e valia cada centavinho de dirham. A arquitetura é linda, os mosaicos são impressionantes e entrar nos quartinhos dos meninos, ver as mínimas janelas (quando existem), as pesadas portas de madeira…ai, é de tirar o fôlego!

Entrada paga de 10 Dirhams em outubro de 2012

Medersa Ben Youssef

Detalhes das paredes

Medersa Ben Youssef

Mais detalhes

Medersa Ben Youssef

Porta que dá para o pátio central

Medersa Ben Youssef

Vista de um dos quartos

Medersa Ben Youssef

Medersa Ben Youssef

Medersa Ben Youssef

Portas dos quartos

Medersa Ben Youssef

Entrada

Museu Dar si Said – Museu de artes de Marrakech
O acervo do museu em si não é tão impressionante, o que vale a pena aqui é a arquitetura, especialmente dos pátios internos. Algumas coisas no acervo daqui chamam atenção, e para aqueles que gostam de ver obras étnicas, é um bom lugar. Depois de passear bastante, certifique-se que você visitou um pátio interno recoberto de mosaicos e com uma fonte central para ablação. Se não, pergunte ao atendente por esse pátio, por alguns dirhams ele te leva lá e é lindo!
Entrada paga de 10 Dihrams em outubro de 2012.

Pátio interno do museu

Pátio interno do museu

>>Museu de Marrakech
Esse eu acabei não visitando. Mas pelo que pesquisei e pelo que pude ver, é bem parecido com o Dar si Said, ou seja, vale a pena muito mais pela arquitetura do que pelo acervo. Se você tiver tempo, dê uma passada! As entradas por aqui não custam caro e como o dirham é uma moeda desvalorizada, as entradas dos museus custam de R$ 2,00 a R$ 8,00. Não é muito a se pagar para ver uma arquitetura fantástica, certo?

>>Qoubba Almorávida
A mais antiga Qoubba do Marrocos e o único exemplo de arquitetura almorávida ainda de pé. Infelizmente quando eu estive em Marrakech, estava fechada. Mas não deixe de conferir! Ela fica pertinho da Medersa Ben Youssef.

>>Jardim Majorelle
Este belo jardim, que fica no coração da Ville Nouvelle  de Marrakech, foi desenhado pelo pintor francês Jacques Majorelle e trata-se de uma reserva natural de cactos, bambús, bouganviles e muitas outras plantas que envolvem um casarão de cor azul cobalto. Um deleite ver tanta cor numa cidade tão ocre como Marrakech! Em 1980, a propriedade foi comprada e esplendorosamente restaurada por Yves Saint-Laurent que trabalhava em suas criações nesses inspiradores jardins. Quando de sua morte, em 2008, suas cinzas foram jogadas aqui – respeitando seu desejo – e um mausoléu foi erguido em sua homenagem.
Quando se entra nesses jardins, o silêncio e o barulho de água e pássaros é de uma paz extrema. Entenda, Marrakech é, de fato, um cidade pulsante. Seus barulhos e ruídos são tão coesos que você sequer se dá conta de como dominam o ambiente até que você entra em um lugar como esse. Pronto! A paz reina! Uma paz diferente do silêncio das Medersas, uma paz azul…opa, na verdade azul são as paredes!
Além disso, dentro do jardim há um café. Gostosinho, nada demais, mas vale a pena sentar aqui e comer com calma, degustar um chá de menta, relaxar!
Atualmente, a pitoresca casa de estilo Art Déco que pertenceu a YSL abriga também o Museu de Arte Islâmica.
A entrada no jardim custava, em outubro de 2012, 20 Dh e 15 Dh extra se quiser visitar também o museu.

Jardim Majorelle

Café do Jardim Majorelle

Jardim Majorelle

Jardim Majorelle

Jardim Majorelle

O casarão azul

Jardim Majorelle

Jardim Majorelle

>>Jardins de la Menara
Não vá até lá! Sério, foi o único lugar de Marrakech que não gostei e achei que não vale a pena!
O jardim não tem sombra, não tem um lugar tranquilo para sentar e relaxar e, se você não ser sorte, não tem banheiro! Quanto estive por lá, os únicos banheiros estavam fechados, o sol estava forte e não tinha sombra! Não era um jardim! Parecia uma grande plantação, meio esquisita mesmo! Para quem está com crianças ou é uma eterna criança, há dromedários na entrada para subir no bicho e tirar fotos!

>>Gueliz e Ville Nouvelle
A parte nova da cidade merece uma visita exploratória! Quer ver Mc Donalds com letreiro árabe? Aqui tem! Quer ver carros novinhos, grifes famosas, marroquinas usando jeans e camisetinha? Aqui também tem! O paradoxo entre o novo e o velho vive em Marrakech e visitar a parte nova da cidade é como sair do passado direto para o futuro em 15 minutos! Ah, dica valiosa: perto do Mc Donalds tem um Carrefour. É meio escondido, mas se você perguntar você consegue achar! Além disso, seguindo a rua direto, até o fim, você chega na Koutoubia, ou seja, volta pra Medina!
Ah, nessa parte da cidade também há bares e restaurantes que vendem bebidas alcoolicas!

Ruas da parte nova de Marrakech

Ruas da parte nova de Marrakech

>>Cyber Park
Um parque agradável, cheio de banquinhos e sombra. Fica no caminho entre Gueliz e a medina, então é uma boa maneira de se refrescar nas sombrinhas e relaxar durante o percurso!

Passada rápida pelo Cyber Park

Passada rápida pelo Cyber Park

>> Passeio de Caleche ao redor dos portões

Os portões da Medina, conhecidos como “babs”, são uma atração a parte. E, justamente por isso, há um passeio inteiramente dedicado a eles. Se tratam das Caleches, carroças puxadas por cavalos que dão a volta nas muralhas da medina parando para fotos e observação.

Pense bem, a muralha que protege a Medina tem mil anos de idade, 12 quilômetros de extensão, 2 metros de espessura, 9 metros de altura e 19 portões impressionantes. Vale ou não vale a pena dar uma olhada nisso?

Aliás, você sabe o motivo de as medinas serem cercadas por muralhas? Para evitar ataques externos, saques e outras violências, ou seja, os muros serviam essencialmente como proteçãoA muralha original de Marrakech foi construída pelos almorávidas, a mando de Ali Ben Youssef, no início do século XII e seus portões são muito mais que lugares de acesso à medina.

Kasbah

Depois de cruzar o Bab Agnou

O mais imponente deles, o Bab Agnou, é o mais decorativo deles e assim como seu vizinho Bab er Rob, tinha o papel de defesa da medina. Atualmente, é a porta mais bonita cidade e um dos melhores exemplos da arquitetura mourisca do século XII. Ao cruzar o Bab Agnou, você entrará no Kasbah da medina e a visão é bem diferente da Jamaa el Fna, por exemplo. Ali ficam o Palácio Real, o Palacio El Badi e as Tumbas Saadianas.

Você pode pegar uma calèche nos arredores da Jamaa el Fna, bem em frente ao Club Med ou na Praça de Foucauld, perto do Bab Kob ou em frente ao Hotel La Mamounia. Combine o preço e a quantidade de paradas. Esse passeio costuma durar entre 1h30min ou 2hs, mas pode durar mais, tudo depende do que você combinar.

Os pontos mais importantes do passeio são o Bab Agnou, como já foi dito, e seu vizinho Bab er Robb. Também não deixe de ver as ruínas do Bab el-Raha e também o Bab Doukala. Este último foi construído sob o reinado de almorávidas e leva o nome original do lugar onde ele fica, que se estendia até o norte da cidade, onde havia um bairro de leprosos.  Se ainda tiver tempo, pare  no Bab Debbagh, que dá acesso aos curtumes, e  também no Bab Aghmat

Bab Agnou

Bab Agnou

>Como organizar seu roteiro?

A maneira mais eficiente de tornar a sua viagem gostosa é ver aquilo que você realmente quer. Mas para tudo correr bem, é preciso também escolher a ordem em que você visitará cada coisa e lembrar-se que você precisa comer e relaxar. Para isso, a dica é organizar seu roteiro por proximidade e também tentar intercalar atividades muito pesadas e cansativas com momentos de relaxamento.

Abaixo segue uma organização possível de um roteiro de 3 dias em Marrakech e – de brinde! – os mapas do Google Maps mostrando onde fica cada coisa! :)

Enjoy!

Dia 1
Almoçar na Djemaa El-Fna e passear nos souks
Museu de artes de Marrakech
Bahia Palace
Caminhar pelo bairro judeu (praça des flerbantiers)
Visitar as ruinas do El Badi Palace
Visitar as tumbas saadianas
Seguir para a Mesquita de Koutubia
Voltar para os souks da Praça Djeema El Fna
Terminar o dia com um lanche nos terraços da Djemaa El-Fna

Dia 2
Qoubba Almorávida
Museu de Marrakech
Madrassa Ben Youssef
Almoçar na no Cafe de France na Djema El Fna
Passear pelos souks
Fazer um passeio de Calèche

Dia 3
Tomar café no jardim Majorelle
Seguir para os jardins de la menara
Almoçar na place du 16 novembre, em gueliz
Passeio por Gueliz (av mohammed v, liberte e youguslave)
Voltar para a Medina pelo Cyber Park

13 Comentários

Arquivado em África, Marrocos

13 Respostas para “Roteiro Marrocos – Marrakech: a cidade vermelha

  1. Eu só posso dizer muito obrigado mesmo. Será que dá para fazer o deserto em 4 dias em Marrakech? Obrigado.

    • Oi, clovis!
      Acho que há uma opção de passeio ao deserto de 2 dias/1 noite.
      Com 4 dias em marrakech, essa seria sua única opção. Mas vai ficar corrido, hein?
      Vc vai visitar apenas marrakech ou vai pra outra cidade depois? Está sozinho ou com um grupo? Talvez seja melhor você alugar um carro ou contratar um motorista e, dependendo de para onde vá depois, seguir viagem direto.

      • Olá, Fernanda. Boa tarde. Primeiramente obrigado pela resposta. Só irei visitar Marraqueche. Estarei sozinho mochilando por 36 dias na Europa. Mas também tenho que pensar o seguinte é viagem de estudante. Gastar o minimo que puder. Voce achar dois dias há mais em Marraqueche? Mas aí também teria que excluir Madrid.

      • Oi, Clovis! As coisas no Marrocos são muito baratas se comparado com a Europa! Comida, presentes, hospedagem…é possível economizar bastante! Eu comi muito bem e comprei bastante coisa por lá gastando pouco!
        Eu sempre recomendo um mínimo de 3 dias em Marrakech, mas com 2 dias você já consegue ter uma boa ideia da cidade. Sendo assim, tente encontrar um passeio de apenas 2 dias e 1 noite para o deserto e passe 2 dias em Marrakech. Vai ser bastante corrido, mas se você realmente quer ir ao deserto, essa é a opção. Lembre-se que são cerca de 7 a 8 horas de carro até o deserto, uma noite dormindo pouco e depois mais 7 a 8 horas de viagem de volta, então será bem cansativo. O deserto é mágico e valerá a pena com certeza, mas tenha em mente que não será fácil! Uma segunda alternativa é desistir do deserto e curtir Marrakech com mais calma, fazendo apenas um day trip para lugares mais próximos, como Essaouira, por exemplo.

  2. Jackeline Tavares

    Muito obrigada pelo post! Perfeito. VIajarei com uma amiga para Marrakech e vc nos salvou!

  3. Olá. Estou planejando uma viagem de volta ao mundo com inicio em fevereiro de 2014. Marrocos está no meu roteiro e seu blog foi de grande ajuda, foi um dos melhores que via até então sobre Marrakesh.
    Tudo mastigadinho, obridada.

  4. Olá Fernanda. Parabéns pelos relatos. Estão realmente muito bons e esclarecedores ! Estou planejando uma viagem para a europa no final de março/começo de abril e pretendo deixar 5 dias para o Marrocos, Madrid – Marrakech – Madrid. Vou deixar 3 dias para Marrakech e estou na dúvida sobre os outros 2 dias. Eu gostaria também de ir até Fez. É muito longe de Marrakech ? Tem algum daytrip partindo de Marrakech (Essaouira é uma opção que já vi) ? O que você faria nestes dois dias ? Muito obrigado pela ajuda. Abs, Diógenes

    • Olá, Diógenes! Fez é bem longe para uma daytrip. Eu aconselharia fazer o passeio no deserto (há uma opção de 2 dias/1 noite com menos paradas) ou buscar cidades/atrações próximas como Essaouira, Imlil, Ourika Valley ou Ouzoude. Lembrando que eu não estive nesses lugares (fui para o deserto e de lá segui para Fez), estou falando apenas sobre as pesquisas que fiz e as opções que encontrei na época.
      Abs e boa viagem!

      • Obrigado pelo retorno Fernanda. Eu quero fazer o passeio do deserto, mas pelo “perrengue” que você relatou minha esposa não vai querer…rs. Devo fazer Essouira e escolherei outro. Abs, Diógenes

  5. Carolina Filippini

    Olá Fernanda! Adorei as dicas! Vou seguir seu roteiro em Marrakech! Vou passar 10 dias no Marrocos, 3 em Marrakech, oq vc indicaria pra fazer nos 7 dias que sobram? Muito obrigada!

  6. Lais

    Voce conseguiu fazer os 3 roteiros a pé, ou precisou pegar algum meio de transporte?
    Tem alguma coisa pra me falar sobre o passeio pelo deserto?
    Obrigada

    • Oi, Lais! Não entendi sua pergunta. Os três roteiros que você diz são Marrakech, Fes e deserto? De Marrakech para Merzouga (deserto) foram dois dias de carro na estrada (mas dá pra fazer em 1). De Merzouga para Fes foram 12 horas em um ônibus horroroso, não recomendo!rs Vc pode pegar um carro, parece que são cerca de 7hs de viagem. Abs!

  7. Ana Cassia Rosset Pritsch

    Oi, Fernanda!
    Adorei as suas dicas. Com certeza serão muito válidas.
    Estou viajando tbm, e, infelizmente, terei apenas 5 dias entre Madrid e Marrakech (do dia 10.05 a dia 15.05). Queria ficar 3 dias em Marrakech, e 2 em Madrid, mas consultando passagens de avião, a única coisa barata que achei foi ida no dia 13, e volta dia 15. Então eu teria o dia 13 a partir do meio dia, e o dia 14 inteiro, mais a manhã do dia 15 em Marrakech.
    Dia 12 é uma segunda feira, então a ida neste dia é um absurdo de caro, e a passagem que achei para ida dia 13 dá uma diferença de 70% no valor.
    Vc acha ruim apenas do dia 13 ao dia 15 em Marrakech? Considerando também tempo entre ida-volta do aeroporto?
    Obrigada desde já pela atenção!!!
    Abraços,
    Ana Cassia

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